quarta-feira, 1 de outubro de 2008

A CRISE AMERICANA EM TUPINIQUÊS CASTIÇO

PREFACIANDO ¹
Antes de ler o texto é necessário aguçar a subjetividade criativa e tentarmos construir o cenário indispensável, o contexto essencial para a literata viagem. Entonce...
Domingo. Um típico armazém do mais interior dos interiores desse Brazilzão. Cachorros estirados ao chão na porta do armazém, galinhas ciscando de um lado e do outro, “seu” Nezinho, numa habilidade de médico legista, literalmente abria um porco para vender miúdos do mesmo e a sua carne e lá dentro do recinto, em um dos cantinhos, cadeira inclinada com o encosto na parede e, se equilibrando sobre ela, um daqueles maravilhosos matutos, tipo o Jeca Tatu iluminadamente criado por Monteiro Lobato, descascando um fumo de rolo. À sua frente, sentado sobre um saco de 50 kg de feijão, um outro, já mascando o seu desde que a “vendinha” fora aberta naquela manhã, numa performance olímpica, consegue dar uma cusparada de uns 3 a 4 metros para fora do armazém, fazendo um dos cachorros levar um susto. E aí, rola o papo entre os dois..

A CRISE AMERICANA EM TUPINIQUÊS CASTIÇO ²
A explicação da tunga americana em língua "brasileira" ou: Como entender a complexidade da crise subprime do sistema bancário americano; É assim, ó: O seu Zé tem um bar, na Vila Carrapato, e decide que vai vender cachaça 'fiado' aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase todos desempregados.
Porque decide vender a crédito (fiado), ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose da branquinha (a diferença é o sobrepreço que os pinguços pagam pelo crédito).
O gerente do banco do seu Zé, um ousado administrador formado em curso de emibiêi, decide que as cadernetas das dívidas do bar constitui, afinal, um ativo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento tendo o pindura dos pinguços como garantia.
Uns seis zécutivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco, e os transformam em CDB, CDO, CCD, UTI, OVNI, SOS ou qualquer outro acrônimo financeiro que ninguém sabe exatamente o que quer dizer.
Esses adicionais instrumentos financeiros, alavancam o mercado de capítais e conduzem a que se façam operações estruturadas de derivativos, na BM&F, cujo lastro inicial todo mundo desconhece ( as tais cadernetas do seu Zé.).
Esses derivativos estão sendo negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países.
Até que alguém descobre que os bêubo da Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas, e o Bar do seu Zé vai à falência.
E aí toda a cadeia sifu. Deu pra entender ?


¹. Produzido por Francisco Carlos de Mattos
². Recebido por e-mail de uma ex-aluna. No mesmo não constava o autor. Se alguém souber, por favor notifique-me!

Um comentário:

Francisco Mattos disse...

Continuo aguardando a visita do(a)s companheiro(a)s. As suas críticas, sugestões, comentários; enfim, contribuições necessárias e queridas, serão sempre bem-vindas!